Rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça

Alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a conduzir um carro em alta velocidade entre o nascimento e a morte sem hipótese de parar para abastecer.

A sociedade nasce padronizada. Não existem personalidades únicas. Nós somos o que fazem de nós, nós somos o espelho daqueles que nos rodeiam.

Nascemos porque alguém decide que a sua felicidade tem de passar por isso.
Estudamos tudo e mais alguma coisa para nos tornarmos doutores. - Sim! Tu nasces para ser doutor, a sociedade impõe-te isso esquecendo-se que o mundo não se faz só de doutores. - Casamos e temos filhos porque contrário a isso, somos uns infelizes, sendo-nos quase imposto um sentimento de culpa e vergonha por isso.


É tudo blindado ao pormenor. É nos imposta a ideia que somos livres, quando vivemos sem liberdade de expressão, sem o poder para falar mais alto.
Se paramos para pensar. É possível parar para pensar. Tenta! Sai dessa bolha, sê tu a padronizar o teu cérebro. Para esse carro, há um circo montado há tua volta, pelo qual tu não pagaste bilhete, e estás no ridículo de nem perguntar porquê.
Nessa paragem percebesse que a liberdade se resume a dinheiro, a política nunca concorre a uma estatueta dourada porque ganharia sempre, as pessoas estão robotizadas e o que sentimos é camuflados por aquilo que os outros acham correto.

A rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça. Criar horas para tudo, cumpri-las religiosamente, controlar estado emocional pelo ponteiro de um relógio é só a coisa mais ridícula à qual tu te submetes.

Comer porque sim, mesmo que o corpo não precise. Trabalhar oito horas por dia, para respirar ao final do mês. Sair apenas ao fim-de-semana porque precisamos de dormir sete horas. Vestir branco porque o preto não está na moda. Deixar de ter amigos porque a família é mais importante. Sem reparar, tudo isto nos mata ainda antes do nosso corpo gelar.

Somos hipócritas, cobardes, submetemo-nos à dita normalidade sem questionar porquê. Seguimos assim à milénios e prevê-se mais do mesmo. Porque alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a isto, ou talvez eu tenha bebido demais.

Comentários

  1. Tal e qual... Este texto faz-me pensar... Meu deus.
    Beijinho*

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  2. Um relógio parado está certo duas vezes por dia (já dizia o meu avô), e a rotina nem sempre "mata".
    Não é difícil viver e fazer as habituais paragens para abastecer, o problema é que nem sempre o "combustível" usado será a melhor opção. Gerir tudo isto e encontrar o tal 'equilíbrio' é, sem dúvida o grande segredo.
    Agradeço e retribuo visita ao meu blog.
    Tudo de bom.
    :)
    ;)

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  3. disseste tu muitas verdades... OPahhh e eu que não estudei pa ser doutora :/ aahahah

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  4. Durante a semana tem de existir a dita rotina, afinal o emprego não espera. Contudo, ao fim de semana, sou livre que nem um passarinho! =)
    Beijinhos

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  5. Nesta espécie de democracia, dão-nos a liberdade de fazermos o que a sociedade dita e já nem nos questionamos sobre a razão de sermos cada vez mais infelizes. Ser infeliz faz parte do sistema, faz parte da rotina.
    Se não fossemos infelizes, não tínhamos motivos para gastar o salário a tentar comprar felicidade e a sociedade de consumo ia à falência.
    Até os sonhos nos são vendidos... :)

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  6. seguimos assim há (e não à) milénios.

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  7. Muito bem (; gostei de ler. Há quem goste genuinamente de rotinas... quanto ao que a sociedade nos impõe, cabe a cada um de nós começar a mudança em si mesmo para um dia as coisas virem a ser diferentes

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  8. Gostei tanto deste texto, mas sei la a rotina diária agrada-me, assim como o planeamento da mesma. Acho que é algo que vem na raiz das pessoas. Beijinhos. 😊😊

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  9. Parece escrito pela minha alma! Um bem haja do tamanho da nossa insensatez =)*

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  10. somos livres mas numa liberdade limitade. É assim a sociedade, não podemos fugir dela.

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