O fim é inevitável quando a ruptura é sinónimo de liberdade.

O comboio partiu as 06:18, a estação estava praticamente vazia e o frio estalava-me os ossos. Desta vez nem o sol veio para te ver partir.
Foi doloroso e tranquilizador ao mesmo tempo. Levavas contigo os meus segredos, os meus medos, as minhas dúvidas, o meu amor, levavas uma vida contigo que durante meses também foi minha. Tive em mim a certeza que contigo fugiria todo o sofrimento deste amor desleal e só assim poderia seguir em frente. Só assim poderia voltar a reconstruir-me, voltar a ser eu.
Foi o último comboio que vi partir, foi a última vez que chorei o teu luto. Nunca uma despedida foi tão ansiada, nunca um adeus foi tão aliviante.


O fim é inevitável quando a rutura é sinónimo de liberdade. Pior do que permitir que pessoas erradas façam parte de nós é não ter a coragem de lhe dizer adeus.
Não existe qualquer tipo de filtro. Conhecer-te era inevitável, viveres em mim foi uma opção minha e jamais transitarei a culpa para ti. Aliás, ninguém o deveria fazer, as pessoas só nos iludem se nos iludirmos com elas.
É preciso manter sempre os dois pés na terra e perceber de uma vez por todas que o coração não sente nada. Parar de vermos os outros à imagem daquilo que queremos deles ou tentar moldá-los aquilo que idealizamos para eles.
A razão também ama, e foi quando aprendi que esta era mais forte que qualquer tipo de emoção que te ofereci a nossa última viagem.

Abre os olhos e nunca limites a tua mente.



Espero que estejas sentado e acima de tudo com a mente aberta. É dela que te falo.
Nenhum de nós é mais do que um corpo que dá vida a uma massa cinzenta moldada desde o teu primeiro choro até ao teu ultimo suspiro.
Tudo não é mais do que ligações químicas. A dor, a alegria, o choro, as gargalhadas, o ódio, o amor. Tudo está centralizado no único lugar. Lugar esse, que te pertence mas tem muito pouco de ti.  Acho que já o disse, mas espero que estejas sentado, até porque não quero que me entendas, dá-me só a oportunidade de te o dizer.

Queria que te tornasses em alguém que gostarias de criar, despregando-te da construção que fizeram de ti. A maneira como pensas, como danças, como amas e acima de tudo como te vês foi criada por aqueles que te rodeiam. Não somos únicos por sermos diferentes de todos os outros. Somos únicos pelo facto de mais ninguém no mundo ter partilhado a sua vida com as mesmas pessoas que nós.

O teu maior problema é não saber distinguir a aprendizagem da imitação. Nós somos aquilo que os outros são, não aquilo que eles nos ensinam. Nunca nos escolhemos a nós, nunca criamos, apenas decidimos qual o melhor caminho a seguir.
Não estás a perceber do que te falo?
Existem pessoas que carregam a morte consigo em nome de um Deus que alguém lhes fez acreditar que existia.
Todos os dias alguém coloca fim a sua vida por amor, sem saber que não é o coração que ama mas sim um conjunto de informação processada que pode ser corrigida.
Existem pessoas que acham que é errado amar alguém do mesmo sexo só porque a sociedade lhes impinge imagens e sátiras nesse sentido, sem que elas tenham a capacidade de as filtrar.
Existem pessoas que não sabem que se abdicarem de 5%, ou menos, daquilo que auferem todos os mês, salvariam uma vida – pudesse a humanidade toda saber disto.
Pergunta-te quem és. Acima de tudo pergunta-te: “Se eu pudesse criar uma personalidade, como é que ela seria?”.
Um problema só é resolvido na sua íntegra se conseguirmos encontrar a sua origem. Mais uma vez voltamos a caixa cinzenta. Está na altura de reeducares o teu cérebro. De questionares aquilo que acreditas. Deixar de procurar o melhor caminho a seguir e começar a procurar o melhor “eu”.
Abre os olhos e nunca limites a tua mente. O mundo é só, e apenas, aquilo que fazemos dele e garanto-te, o mundo já viu melhores dias.


Rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça

Alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a conduzir um carro em alta velocidade entre o nascimento e a morte sem hipótese de parar para abastecer.

A sociedade nasce padronizada. Não existem personalidades únicas. Nós somos o que fazem de nós, nós somos o espelho daqueles que nos rodeiam.

Nascemos porque alguém decide que a sua felicidade tem de passar por isso.
Estudamos tudo e mais alguma coisa para nos tornarmos doutores. - Sim! Tu nasces para ser doutor, a sociedade impõe-te isso esquecendo-se que o mundo não se faz só de doutores. - Casamos e temos filhos porque contrário a isso, somos uns infelizes, sendo-nos quase imposto um sentimento de culpa e vergonha por isso.


É tudo blindado ao pormenor. É nos imposta a ideia que somos livres, quando vivemos sem liberdade de expressão, sem o poder para falar mais alto.
Se paramos para pensar. É possível parar para pensar. Tenta! Sai dessa bolha, sê tu a padronizar o teu cérebro. Para esse carro, há um circo montado há tua volta, pelo qual tu não pagaste bilhete, e estás no ridículo de nem perguntar porquê.
Nessa paragem percebesse que a liberdade se resume a dinheiro, a política nunca concorre a uma estatueta dourada porque ganharia sempre, as pessoas estão robotizadas e o que sentimos é camuflados por aquilo que os outros acham correto.

A rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça. Criar horas para tudo, cumpri-las religiosamente, controlar estado emocional pelo ponteiro de um relógio é só a coisa mais ridícula à qual tu te submetes.

Comer porque sim, mesmo que o corpo não precise. Trabalhar oito horas por dia, para respirar ao final do mês. Sair apenas ao fim-de-semana porque precisamos de dormir sete horas. Vestir branco porque o preto não está na moda. Deixar de ter amigos porque a família é mais importante. Sem reparar, tudo isto nos mata ainda antes do nosso corpo gelar.

Somos hipócritas, cobardes, submetemo-nos à dita normalidade sem questionar porquê. Seguimos assim à milénios e prevê-se mais do mesmo. Porque alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a isto, ou talvez eu tenha bebido demais.