Somos sempre nós que escolhemos quem caminha ao nosso lado.

Para se se feliz com outra pessoa, em primeiro lugar nós precisamos de não precisar dela.

É cobardia da nossa parte depositarmos no outro a responsabilidade pela nossa felicidade. Sem rodeios, acho que é um fardo carregar todas as expectativas que os outros depositam em nós.

Devemos de gostar dos outros por aquilo que eles são, nunca por aquilo que nós esperemos que sejam. Acreditar não pode ir para lá daquilo que vemos, confiar tem de ficar aquém daquilo que nos é perceptível.
A empatia pode se criar num primeiro momento, numa primeira impressão, um sentimento não. É preciso gostar devagar, questionar, descobrir e depois gostar por inteiro.

É importante aproveitar tudo, mas mais importante ainda, nunca nos esquecer-mos de quem somos, daquilo em que acreditamos. Há momentos em que temos que parar e perceber que será possível continuar se algum dia quem caminha ao nosso lado nos mostrar que esse já não é o seu caminho.

Não há frieza nenhuma nisso, nem falta de amor. É fundamental provar ao outro que a nossa vida é muito melhor com ele nela, mas acima de tudo não ter medo de lhe mostrar que no dia em que ele quiser partir nós iremos reconstruir-nos.

O olhar de quem nos vê.



"Queria revelar-te aquilo que és aos meus olhos. Mas não consigo.
Conheço-te há tanto tempo e não consigo.

Irrita-me que vivas com um sorriso no rosto sem nunca revelares porque sorris.
Não sei se sorris por alegria, se sorris porque queres ser simpática - digo-te, à primeira impressão és uma pessoa que desfila antipática. - ou se sorris para esconder aquilo que sentes.
És fria, desapegada, demasiado senhora de si. Não fazes fretes, não finges gostar, não és educada com os outros só porque sim.

Carregas as dores de quem não conheces às costas. Vejo-o só de te olhar.
Quero, aos poucos, explicar-te que o mundo não é a tua vida.
Um dia vais perceber que as pessoas morrem à fome e de facto ninguém quer saber.
Que outras encontram a melhor cama na rua e de facto ninguém quer saber.
As religiões estão demasiado impregnadas para mudar mentalidades e de facto ninguém quer saber.




Lamento relembrar-te mas tu sozinha não vai mudar mentalidades. É hora de parares de sofrer com isso.

Tens a mania que és engraçada, porra, és mesmo. Sempre com a melhor resposta, sempre com a melhor solução, sempre capaz de desenhar um sorriso no rosto de quem chora.
Admiro profundamente a fome de cultura que habita em ti. A generosidade sem fim, o gosto musical, a mão para a cozinha, a atenção a cada coisa que te rodeia e acima de tudo a forma transparente de dizeres o que pensas, de dizeres aquilo que os outros precisam de ouvir, sem nunca ofenderes ninguém.

Está em ti enraizada a ideia que a amizade deveria ser eterna. Que nós devemos abraçar o mundo de alguém como se fosse nosso e permanecer nele eternamente caso contrário nem nos deveríamos atrever a chamar ao outro de amigo. Lamento, mas somos humanos.

És um mistério de mulher e apesar de tantas palavras, continuo a achar que não conheço nem um terço de ti."

S.

Desafio-vos a colocar um sorriso no rosto de um desconhecido

Esta será, certamente, a publicação menos interessante para maior parte dos leitores, mas vos garanto que será a minha melhor publicação até hoje.

Nós não somos todos iguais. A diferença existe. Vamos parar de ensinar as crianças que somos todos iguais, ao contrário disso, ensinem-lhes como se luta pela igualdade. O mundo é muito mais do que aquilo que nós vemos.

E com isto quero lançar-vos um desafio. Sabem aquele dinheirinho que juntamos para as prendas de Natal? Pensem numa pessoa a quem vão dar essa prenda e proponham o seguinte:


 - E se este a tua prenda abraçasse uma criança que sonha com uma vida digna? 



Consegues convencer alguém a abdicar - ou seres tu próprio a abdicar - de uma prenda de Natal para melhorar um pouco a vida de alguém que sobrevive noutro Continente?

Existem várias Organizações não Governamentais a trabalhar, em múltiplos países do hemisfério Norte e Sul do mundo. Com uma pequena pesquisa conseguem comprovar aquilo que vos digo.

Por experiência própria, posso falar-vos da Helpo, (www.helpo.pt).
A Helpo é uma Organização laica e apolítica que leva a cabo programas de apoio continuados, projectos de assistência, ajuda humanitária, desenvolvimento comunitário e humano. Estou associada a esta através plano de apadrinhamento de uma criança em Moçambique. Mas quero fazer mais por aquelas pessoas e, acima de tudo, quero mostrar-vos como não é assim tão difícil ajudar.

Até ao dia um de Dezembro esta associação está a receber bens para enviar para Moçambique - atenção, a Helpo é apenas um exemplo.

As principais necessidades no terreno são:
1-. Material escolar de base: cadernos, esferográficas, lápis de carvão, borracha, afia, mochila, lápis e canetas de colorir;
2- Livros, sobretudo livros de leitura para crianças, jovens e adultos, sempre em Português. Dicionários e enciclopédias também são muito bem vindos e importantes;
3 – Chinelos de enviar no dedo ou tipo crocks (preferencialmente tamanhos entre o 25 e o 45).
4 – Escovas e pastas dos dentes e sabonetes de glicerina;
5 – Mantas do tipo polar;
6 – leite em pó (etapas 1 e 2)
7 – Capas para a chuva.
8 – Roupa de criança.

Qualquer ajuda é fundamental.
Podem informar-se junto das diferentes Organizações, descubram aquilo que se passa fora da bolha.

Desafio-vos a desafiar outras pessoas. Desafio-vos a olhar para o mundo de outra forma, desafio-vos a colocar um sorriso no rosto de um desconhecido. Desafio-vos a criarem o Natal várias vezes por ano.




O fim é inevitável quando a ruptura é sinónimo de liberdade.

O comboio partiu as 06:18, a estação estava praticamente vazia e o frio estalava-me os ossos. Desta vez nem o sol veio para te ver partir.
Foi doloroso e tranquilizador ao mesmo tempo. Levavas contigo os meus segredos, os meus medos, as minhas dúvidas, o meu amor, levavas uma vida contigo que durante meses também foi minha. Tive em mim a certeza que contigo fugiria todo o sofrimento deste amor desleal e só assim poderia seguir em frente. Só assim poderia voltar a reconstruir-me, voltar a ser eu.
Foi o último comboio que vi partir, foi a última vez que chorei o teu luto. Nunca uma despedida foi tão ansiada, nunca um adeus foi tão aliviante.


O fim é inevitável quando a rutura é sinónimo de liberdade. Pior do que permitir que pessoas erradas façam parte de nós é não ter a coragem de lhe dizer adeus.
Não existe qualquer tipo de filtro. Conhecer-te era inevitável, viveres em mim foi uma opção minha e jamais transitarei a culpa para ti. Aliás, ninguém o deveria fazer, as pessoas só nos iludem se nos iludirmos com elas.
É preciso manter sempre os dois pés na terra e perceber de uma vez por todas que o coração não sente nada. Parar de vermos os outros à imagem daquilo que queremos deles ou tentar moldá-los aquilo que idealizamos para eles.
A razão também ama, e foi quando aprendi que esta era mais forte que qualquer tipo de emoção que te ofereci a nossa última viagem.

Abre os olhos e nunca limites a tua mente.



Espero que estejas sentado e acima de tudo com a mente aberta. É dela que te falo.
Nenhum de nós é mais do que um corpo que dá vida a uma massa cinzenta moldada desde o teu primeiro choro até ao teu ultimo suspiro.
Tudo não é mais do que ligações químicas. A dor, a alegria, o choro, as gargalhadas, o ódio, o amor. Tudo está centralizado no único lugar. Lugar esse, que te pertence mas tem muito pouco de ti.  Acho que já o disse, mas espero que estejas sentado, até porque não quero que me entendas, dá-me só a oportunidade de te o dizer.

Queria que te tornasses em alguém que gostarias de criar, despregando-te da construção que fizeram de ti. A maneira como pensas, como danças, como amas e acima de tudo como te vês foi criada por aqueles que te rodeiam. Não somos únicos por sermos diferentes de todos os outros. Somos únicos pelo facto de mais ninguém no mundo ter partilhado a sua vida com as mesmas pessoas que nós.

O teu maior problema é não saber distinguir a aprendizagem da imitação. Nós somos aquilo que os outros são, não aquilo que eles nos ensinam. Nunca nos escolhemos a nós, nunca criamos, apenas decidimos qual o melhor caminho a seguir.
Não estás a perceber do que te falo?
Existem pessoas que carregam a morte consigo em nome de um Deus que alguém lhes fez acreditar que existia.
Todos os dias alguém coloca fim a sua vida por amor, sem saber que não é o coração que ama mas sim um conjunto de informação processada que pode ser corrigida.
Existem pessoas que acham que é errado amar alguém do mesmo sexo só porque a sociedade lhes impinge imagens e sátiras nesse sentido, sem que elas tenham a capacidade de as filtrar.
Existem pessoas que não sabem que se abdicarem de 5%, ou menos, daquilo que auferem todos os mês, salvariam uma vida – pudesse a humanidade toda saber disto.
Pergunta-te quem és. Acima de tudo pergunta-te: “Se eu pudesse criar uma personalidade, como é que ela seria?”.
Um problema só é resolvido na sua íntegra se conseguirmos encontrar a sua origem. Mais uma vez voltamos a caixa cinzenta. Está na altura de reeducares o teu cérebro. De questionares aquilo que acreditas. Deixar de procurar o melhor caminho a seguir e começar a procurar o melhor “eu”.
Abre os olhos e nunca limites a tua mente. O mundo é só, e apenas, aquilo que fazemos dele e garanto-te, o mundo já viu melhores dias.


Rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça

Alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a conduzir um carro em alta velocidade entre o nascimento e a morte sem hipótese de parar para abastecer.

A sociedade nasce padronizada. Não existem personalidades únicas. Nós somos o que fazem de nós, nós somos o espelho daqueles que nos rodeiam.

Nascemos porque alguém decide que a sua felicidade tem de passar por isso.
Estudamos tudo e mais alguma coisa para nos tornarmos doutores. - Sim! Tu nasces para ser doutor, a sociedade impõe-te isso esquecendo-se que o mundo não se faz só de doutores. - Casamos e temos filhos porque contrário a isso, somos uns infelizes, sendo-nos quase imposto um sentimento de culpa e vergonha por isso.


É tudo blindado ao pormenor. É nos imposta a ideia que somos livres, quando vivemos sem liberdade de expressão, sem o poder para falar mais alto.
Se paramos para pensar. É possível parar para pensar. Tenta! Sai dessa bolha, sê tu a padronizar o teu cérebro. Para esse carro, há um circo montado há tua volta, pelo qual tu não pagaste bilhete, e estás no ridículo de nem perguntar porquê.
Nessa paragem percebesse que a liberdade se resume a dinheiro, a política nunca concorre a uma estatueta dourada porque ganharia sempre, as pessoas estão robotizadas e o que sentimos é camuflados por aquilo que os outros acham correto.

A rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça. Criar horas para tudo, cumpri-las religiosamente, controlar estado emocional pelo ponteiro de um relógio é só a coisa mais ridícula à qual tu te submetes.

Comer porque sim, mesmo que o corpo não precise. Trabalhar oito horas por dia, para respirar ao final do mês. Sair apenas ao fim-de-semana porque precisamos de dormir sete horas. Vestir branco porque o preto não está na moda. Deixar de ter amigos porque a família é mais importante. Sem reparar, tudo isto nos mata ainda antes do nosso corpo gelar.

Somos hipócritas, cobardes, submetemo-nos à dita normalidade sem questionar porquê. Seguimos assim à milénios e prevê-se mais do mesmo. Porque alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a isto, ou talvez eu tenha bebido demais.

Ter um amigo é ter-nos a nós próprios

Todos nós temos amizades eternas, independentemente de estas durarem ou não para sempre.
A amizade nasce, tão simplesmente, no reconhecimento da nossa essência, alma para os mais crentes, noutro corpo. No entanto, um amigo não se diz amigo da boca para fora, é preciso prová-lo. Acima de tudo, é preciso estar presente na vida do outro para que isso seja verdade.

Os amigos ao contrário dos amantes não são coisa assim tão rara. O problema reside na prática da amizade. Fazer um amigo é fácil e mais fácil seria manter uma amizade se, a teoria escrita nos livros e muitas vezes tatuada nos corpos, fosse humanizada por quem pensa.
É uma verdade intrínseca o facto de a nossa personalidade ser talhada por quem nos educa no entanto, esta é suportada por quem nos acompanha. Somos a junção de várias vidas, respiramos a alegria dos outros, encontramo-nos nas mesmas gargalhadas, choramos as mesmas feridas, aprendemos a mesma língua e é isso que eterniza a amizade em nós.

Não há amizades iguais, diferentes momentos exigem diferentes pessoas. Há quem acredite que a fugacidade do tempo descarta um leque de amigos da nossa vida porque, segundo os que não encontram nenhuma justificação para tal, a vida é mesmo assim. Fingimos que nos esquecemos que ter um amigo é muito mais do que ter um ombro. Ter um amigo é ter alguém que suporte a mesma dor, que vá ao encontro da mesma fuga. Ter um amigo é ter alguém que nos inquiete a alma, é ter permanentemente a salvação do abismo.

Alguém uma vez disse “se queres amigos para a vida, arranja vida para os amigos” mas, os anos passam e a palavra “amigo” ganha novos significados. Os hábitos mudam, as crenças focam-se noutros pontos, a racionalização ocupa o lugar a emoção e a vida ensina-nos, ou obriga-nos, a olhar para ela de outra maneira.
Com a passagem do tempo as pessoas cometem o erro de se mentalizar da falta de tempo. Não há tempo para nada, caísse numa rotina sombria onde os amigos são lembrados, de quando em vez, mas apenas isso. Perde-se a saudade, o interesse, ganha-se a distância e é aqui que os perdemos da vida, levando-os apenas nela.