Eu não sei saber de mim




O meu barco continua à deriva num mar que nem horizonte tem, pior que isso é que continua sozinho e com medo de naufragar. Mas não para de remar, anda a ver o que a vida lhe dá, esquecendo-se que ele é que tem que lutar por ela. Todavia está demasiado cansado para se (re)lembrar disso e acho que se o marinheiro deste tardar muito mais adivinha-se um próximo Titanic!

Gostaria de não ter coração - que outra pessoa qualquer, que gostasse de mim o tivesse.




Tenho o meu amor, como toda a gente, mas não o usei. Tenho também a minha história, mas não a contei. O romance que escrevi, escrevi-o para quem não quer saber dos amores ou das histórias de ninguém. Não contei nem inventei nada. Não usei nem pessoas nem personagens. Fugi. Quis mostrar que pertencia ao mundo onde o amor, como as histórias e os romances, existem só por si. Como se me dirigisse a alguém. Outra vez.

Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido

Tenho tudo, sem saber o que tenho, achando que não tenho nada



Tenho frio. Tenho medo. Tenho dor. Tenho um sol. Tenho um mar. Tenho vários desejos. Tenho duas caras. Tenho um cérebro que manda mais que o coração. Tenho vida. Tenho um cubo de gelo. Tenho pessoas inesquecíveis. Tenho a mania. Tenho olhos castanhos. Tenho sonhos irrealizáveis. Tenho fome de amor. Tenho saudades do que tenho e do que nunca tive.
Tenho o mundo numa mão...numa mão que não é minha!