Hobbies - ACMA

Descubram este projecto fantástico : http://www.corsemfim.com/2016/09/a-cultura-mora-aqui-introducao.html


A rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça. Há uma série de, chamemos-lhes assim, protocolos que têm de ser cumpridos em 24h para se levar uma vida dita normal.


No meio de tanta loucura, é necessário anular essas exigências e aproveitar algumas horas para nós. Há quem leia, há quem medite, outros usam o tempo para praticar atividade física, muitos percorrem todas as redes sociais à procura sabe-se lá de quê. Há quem dance, quem durma e depois há aqueles que, como eu, devoram séries e tentam salvar o mundo.


São esses os meus grandes hobbies: ver séries e tentar desenhar sorrisos no rosto de desconhecidos. É uma ligação estranha, mas explicável.


Há um choque profundo quando vamos à descoberta do que está para lá daquilo que vemos. A igualdade não existe. Devíamos parar de ensinar às crianças que somos todos iguais e começar a mostrar-lhes como se luta pela igualdade.


A partir do momento em que se sai da nossa zona de conforto, percebe-se que há pessoas a morrer à fome e ninguém quer saber. Que outras encontram a melhor cama na rua e, de facto, ninguém quer saber. Há pessoas que vivem em piores condições que o meu cão no quintal e ninguém quer saber. As religiões estão demasiado impregnadas para mudar mentalidades e, deixem-me que vos diga, ninguém quer saber.


Nunca quis fazer parte da dita normalidade. Acho chata, repetitiva e errada. Basta olhar para o mundo! A generalidade de nós somos chamados de “normais” e, no entanto, eu não preciso de vos explicar o estado em que o mundo está.
Há uma frase que diz que nós temos de ser a mudança que queremos ver no mundo e, por muito que achem que sozinhos não o mudam, deixem-me que vos diga, devem confiar mais em vocês mesmos!


Há dias que são uma batalha: psicológica e física. Há dias em que apetece desistir e é quando volto a casa e me deito, sem sono, que aproveito o tempo para ver séries. Só assim me desligo do mundo e da realidade que me atropela todos os dias. Desde Prison Break, Scandal, The Originals a How to Get Away with Murder, The 100, Blindspot, Quantico, mais tempo tivesse para os meus hobbies, mais séries veria.


E vocês? Quais são os vossos hobbies preferidos? E séries? Alguma recomendação? Contem-me tudo!

Vamos falar de Twenty One Pilots?




Não é normal eu gostar das musicas que mais passam na radio, ou das tendenciais do momento. Sou viciada em música, mas tenho estilos muito específicos e distintos.

Há mais de um ano, em conversa sobre música alguém me disse: "Descobri uma banda que tu ias gostar: Twenty One Pilots". E eu viciei. Para vocês terem mais ou menos uma noção, quando saiu a primeira música deles na rádio em Portugal - Ride - já eu conhecia os três álbuns de trás para à frente.




Musica: Semi-Automatic


Twenty one Pilots é muito mais de Ride, Heathens e Stressed Out, garanto-vos!

Há medida que ia descobrindo a sua discografia só pensava "existe um trabalho incrível feito por duas pessoas, isto está tão bem feito, como é que o mundo ainda não reparou neles?", ainda hoje há musicas que ainda ouço como se fossem a primeira vez.

Musica: Migrane

Eles são um mistério do principio ao fim. Dão poucas explicações sobre as suas músicas, sobre o símbolo da banda, sobre as suas tatuagem, as suas prestações em palco e é isso que agarra.
Porque o verdadeiro objectivo é que nos foquemos no seu trabalho e não naquilo que eles possam viver ou sentir. Isso cabe-nos a nós.

Para quem não conhece eu desafio-vos, sinceramente, a ouvir. É impossível não sentir uma conexão com a banda.

Musica:  Trapdoor

Eles são incríveis, tem o ritmo certo para dizer aquilo que nós sentimos mas não conseguimos explicar por palavras no entanto, é preciso ter cuidado.

Twenty One Pilots, é um retrato demasiado realista da escuridão que temos dentro de nós, é um apelo constante à salvação do nosso lado bom, podemos ser consumidos pela escuridão sem dar-mos conta. Eles vieram fazer aquilo que mais ninguém tinha feito até hoje na música e é isso que tem de ser apreciado.


Musicas: Doubt / Screen / Ode to Sleep





Existem fãs por aí? Quais as vossas músicas preferidas? O que acham destes meninos?



O meu corpo grita mudo pela cidade

Procurar um sentido quando já não há sentidos.
Sem meios, sem estímulos, sem emoção.
Mudar implica matar algo que é garantido, desafiar o desconhecido,
criando a ilusão de que o que nos espera
será sempre melhor do que aquilo que nos dão.
Viajo pela madrugada fora, sem sair da cama.
A noite tornou-se o meu pior inimigo,
traz-me à mente quem não me ama
e recorda-me a perda de cada amigo.
Dizem que a fuga não é solução,
mas a final quem é que é o dono da razão?
O mundo fechou, dizem-se livres quando vivem numa sela.
Juntos criaram uma sociedade estereotipada
Onde cada um luta por um umbigo de ouro.
Pior do que falar em liberdade é acreditar nela.
Há dias que não são vida,
São uma merda de encher calendário.
O relógio vira o espelho da fadiga,
e lembro-me que nasci só porque alguém quis
colocar o meu nome no seu diário.
A manhã nasce, imperdoável.
O meu corpo grita mudo pela cidade.
O fim é inevitável,
quando a rutura vira sinónimo de liberdade.

Instagram


A paixão pela escrita começa a ganhar outros contornos.

Comecei um novo desafio, deixo-vos aqui o instagram deste blog, que será unicamente dedicado a pequenos excertos e frases da minha autoria:


Espero-vos por lá :)

Não se trata de mover uma montanha, mas sim construir uma

Há pessoas que acreditam que devemos mover várias montanhas por aqueles que amamos e se essas montanhas não chegarem então devemos mover o mundo por elas. Eu acredito na transparência a todo o momento e no dia em que a pessoa que amamos decidir que deve seguir por outro caminho, eu não vou mover montanha nenhuma.
Sim, foi isso que eu disse. A montanha tem de se mover diariamente a dois. Não ter medo de dizer que não, de colocar barreiras, de perguntar porquê, sem mágoas sem “ses”. Acima de tudo sem medo de perder, porque o amor não é uma luta, é sim uma construção continua.


Escolher ter-te a meu lado foi moldar-me a ti, no mesmo sentido em que te moldavas a mim. Fomos três a todo o momento, - eu, tu e nós, - porque não há nada mais estúpido num casal do que querem ser um. Mas acabou.
Foi uma opção tua, fruto da tua vontade e eu não sou ninguém para te privar de seguires aquele que achas que poderá ser o melhor caminho. Seria injusto para ti se não o fizesse, deixando-te claro que era uma situação irreversível, que eu já mais iria tentar recuperar o que quer que fosse. Seria injusto para mim colocar-te em primeiro lugar, mesmo que naquele momento te amasse mais do que me amava a mim própria.
Como é que foi a ruptura? O três multiplicou-se por zero e o vazio ficou. Aceitei-o no primeiro momento, e ainda hoje o aceito. Um luto pesado, inacabado, uma despedida forçada, o derrubar de uma criação, uma dor diferente de todas as outras. Não há amores eternos, eu sei disso, mas há pessoas que ficam eternamente em nós. É inevitável, é intrínseco e injusto.
Há pessoas que nos superam e acima de tudo superam aqueles que nos cruzam a vida. Depois delas só valerá a pena que for melhor, se superar tudo e ainda vier acrescentar. Ao contrário disso o passado estará projectado no futuro e isso anula qualquer presente.

Mulher


Mulher, essa espécie esquisita, que os homens não dominam e que as outras detestam.

Sou mulher, e maior parte de vocês também, e carrego comigo estereótipos que me envergonham, que me fazem cuspir na sociedade que caminha ao meu lado. É nojento a maneira como somos tratadas, e pior ainda como nos tratamos umas as outras.

Não faz parte do código genético, mas o nosso cérebro é manipulado desde muito cedo para que sejamos inferiores, submissas, resignadas.

A humanidade prega igualdade, debate sobre ela, leva-nos às lágrimas, mas nada mais que isso.
A igualdade não existe, estamos todos mergulhados numa ressaca cega que cala a luta. Vive-se com a ideia que somos iguais porque a mulher já tem carta, porque a mulher já vota, porque há mulheres em grandes cargos executivos, e o resto? Fecha-se a porta e as mulheres voltam à idade media, isolam-se os homens e somos vacas, isolam-se as mulheres e somos cobras.



Somos vulneráveis, substituíveis, incapacitadas e escravas na visão deles.

Somos invejosas, porcas e putas - não peço desculpa pela expressão - na visão delas.

Não podemos nascer rotulados, não é uma questão de igualdade, mas sim de justiça.

Afirmem-se. Lutem, movam uma montanha, se uma não chegar movam duas, ou três, - sabem que os números são infinitos, não é?  - mas não se resignem.

É hora de parar de achar que depois de uma dia de trabalho temos que chegar a casa e cozinhar porque isso nos compete a nós. De não ter fim-de-semana porque há uma pilha de roupa para passar, o chão para encerar e os vidros para limpar.

Não é normal que tenhamos que sorrir e agradecer quando o nosso corpo é elogiado por um idiota qualquer que de nós só sabe o nome. É ridículo a maneira como olhamos para as outras, o primordial é encontrar o defeito, mostrar um sorriso cínico e fingir que temos tudo para ser amigas.

Umas mais bonitas, outras mais inteligentes, umas mais intuitivas, outras mais ricas, as mulheres são os extremos, podemos ser as melhores amigas ou as maiores inimigas e só no dia em que acreditar-mos tanto nas mulheres que nos cruzam a vida, como acreditamos em nós, é que  vamos dominar o mundo. - e já faltou mais, fica aqui escrito!


É só de mim, ou eu não estou sozinha?


Com o avançar do tempo cresce uma racionalização atroz que se apoderou e tenta perceber que sentido tem a minha vida, que sentido tem a dos outros, o porquê de tanta incapacidade humana em quebrar mentalidades. Mentalidades que destroem cada um de nós aos poucos, sem que metade da humanidade se aperceba disso.

Não me consigo desligar nos noticiários. Não consigo compreender como se passeia tranquilamente sem reparar no olhar de quem passa por nós. Não entendo nada, mas tranquilize-se quem acha que não sou feliz.



Já me explicaram que esta agonia passa no dia em que perceber que estou aqui para viver a minha vida, e o mundo não é da minha responsabilidade. Mas o relógio avança, eu não consigo abstrair-me do que se passa lá fora e cada vez mais percebo que o sentido disto não é merda nenhuma!

"Lá vem ela cheia de moral falar sabe-se lá de quê"

Falo, falo mesmo. Este espaço é meu e se eu quiser falo até do piolho do vizinho do quinto andar, que não tem clube, mas odeio o Benfica.


Somos sempre nós que escolhemos quem caminha ao nosso lado.

Para se se feliz com outra pessoa, em primeiro lugar nós precisamos de não precisar dela.

É cobardia da nossa parte depositarmos no outro a responsabilidade pela nossa felicidade. Sem rodeios, acho que é um fardo carregar todas as expectativas que os outros depositam em nós.

Devemos de gostar dos outros por aquilo que eles são, nunca por aquilo que nós esperemos que sejam. Acreditar não pode ir para lá daquilo que vemos, confiar tem de ficar aquém daquilo que nos é perceptível.
A empatia pode se criar num primeiro momento, numa primeira impressão, um sentimento não. É preciso gostar devagar, questionar, descobrir e depois gostar por inteiro.

É importante aproveitar tudo, mas mais importante ainda, nunca nos esquecer-mos de quem somos, daquilo em que acreditamos. Há momentos em que temos que parar e perceber que será possível continuar se algum dia quem caminha ao nosso lado nos mostrar que esse já não é o seu caminho.

Não há frieza nenhuma nisso, nem falta de amor. É fundamental provar ao outro que a nossa vida é muito melhor com ele nela, mas acima de tudo não ter medo de lhe mostrar que no dia em que ele quiser partir nós iremos reconstruir-nos.

O olhar de quem nos vê.



"Queria revelar-te aquilo que és aos meus olhos. Mas não consigo.
Conheço-te há tanto tempo e não consigo.

Irrita-me que vivas com um sorriso no rosto sem nunca revelares porque sorris.
Não sei se sorris por alegria, se sorris porque queres ser simpática - digo-te, à primeira impressão és uma pessoa que desfila antipática. - ou se sorris para esconder aquilo que sentes.
És fria, desapegada, demasiado senhora de si. Não fazes fretes, não finges gostar, não és educada com os outros só porque sim.

Carregas as dores de quem não conheces às costas. Vejo-o só de te olhar.
Quero, aos poucos, explicar-te que o mundo não é a tua vida.
Um dia vais perceber que as pessoas morrem à fome e de facto ninguém quer saber.
Que outras encontram a melhor cama na rua e de facto ninguém quer saber.
As religiões estão demasiado impregnadas para mudar mentalidades e de facto ninguém quer saber.




Lamento relembrar-te mas tu sozinha não vai mudar mentalidades. É hora de parares de sofrer com isso.

Tens a mania que és engraçada, porra, és mesmo. Sempre com a melhor resposta, sempre com a melhor solução, sempre capaz de desenhar um sorriso no rosto de quem chora.
Admiro profundamente a fome de cultura que habita em ti. A generosidade sem fim, o gosto musical, a mão para a cozinha, a atenção a cada coisa que te rodeia e acima de tudo a forma transparente de dizeres o que pensas, de dizeres aquilo que os outros precisam de ouvir, sem nunca ofenderes ninguém.

Está em ti enraizada a ideia que a amizade deveria ser eterna. Que nós devemos abraçar o mundo de alguém como se fosse nosso e permanecer nele eternamente caso contrário nem nos deveríamos atrever a chamar ao outro de amigo. Lamento, mas somos humanos.

És um mistério de mulher e apesar de tantas palavras, continuo a achar que não conheço nem um terço de ti."

S.

Desafio-vos a colocar um sorriso no rosto de um desconhecido

Esta será, certamente, a publicação menos interessante para maior parte dos leitores, mas vos garanto que será a minha melhor publicação até hoje.

Nós não somos todos iguais. A diferença existe. Vamos parar de ensinar as crianças que somos todos iguais, ao contrário disso, ensinem-lhes como se luta pela igualdade. O mundo é muito mais do que aquilo que nós vemos.

E com isto quero lançar-vos um desafio. Sabem aquele dinheirinho que juntamos para as prendas de Natal? Pensem numa pessoa a quem vão dar essa prenda e proponham o seguinte:


 - E se este a tua prenda abraçasse uma criança que sonha com uma vida digna? 



Consegues convencer alguém a abdicar - ou seres tu próprio a abdicar - de uma prenda de Natal para melhorar um pouco a vida de alguém que sobrevive noutro Continente?

Existem várias Organizações não Governamentais a trabalhar, em múltiplos países do hemisfério Norte e Sul do mundo. Com uma pequena pesquisa conseguem comprovar aquilo que vos digo.

Por experiência própria, posso falar-vos da Helpo, (www.helpo.pt).
A Helpo é uma Organização laica e apolítica que leva a cabo programas de apoio continuados, projectos de assistência, ajuda humanitária, desenvolvimento comunitário e humano. Estou associada a esta através plano de apadrinhamento de uma criança em Moçambique. Mas quero fazer mais por aquelas pessoas e, acima de tudo, quero mostrar-vos como não é assim tão difícil ajudar.

Até ao dia um de Dezembro esta associação está a receber bens para enviar para Moçambique - atenção, a Helpo é apenas um exemplo.

As principais necessidades no terreno são:
1-. Material escolar de base: cadernos, esferográficas, lápis de carvão, borracha, afia, mochila, lápis e canetas de colorir;
2- Livros, sobretudo livros de leitura para crianças, jovens e adultos, sempre em Português. Dicionários e enciclopédias também são muito bem vindos e importantes;
3 – Chinelos de enviar no dedo ou tipo crocks (preferencialmente tamanhos entre o 25 e o 45).
4 – Escovas e pastas dos dentes e sabonetes de glicerina;
5 – Mantas do tipo polar;
6 – leite em pó (etapas 1 e 2)
7 – Capas para a chuva.
8 – Roupa de criança.

Qualquer ajuda é fundamental.
Podem informar-se junto das diferentes Organizações, descubram aquilo que se passa fora da bolha.

Desafio-vos a desafiar outras pessoas. Desafio-vos a olhar para o mundo de outra forma, desafio-vos a colocar um sorriso no rosto de um desconhecido. Desafio-vos a criarem o Natal várias vezes por ano.




O fim é inevitável quando a ruptura é sinónimo de liberdade.

O comboio partiu as 06:18, a estação estava praticamente vazia e o frio estalava-me os ossos. Desta vez nem o sol veio para te ver partir.
Foi doloroso e tranquilizador ao mesmo tempo. Levavas contigo os meus segredos, os meus medos, as minhas dúvidas, o meu amor, levavas uma vida contigo que durante meses também foi minha. Tive em mim a certeza que contigo fugiria todo o sofrimento deste amor desleal e só assim poderia seguir em frente. Só assim poderia voltar a reconstruir-me, voltar a ser eu.
Foi o último comboio que vi partir, foi a última vez que chorei o teu luto. Nunca uma despedida foi tão ansiada, nunca um adeus foi tão aliviante.


O fim é inevitável quando a rutura é sinónimo de liberdade. Pior do que permitir que pessoas erradas façam parte de nós é não ter a coragem de lhe dizer adeus.
Não existe qualquer tipo de filtro. Conhecer-te era inevitável, viveres em mim foi uma opção minha e jamais transitarei a culpa para ti. Aliás, ninguém o deveria fazer, as pessoas só nos iludem se nos iludirmos com elas.
É preciso manter sempre os dois pés na terra e perceber de uma vez por todas que o coração não sente nada. Parar de vermos os outros à imagem daquilo que queremos deles ou tentar moldá-los aquilo que idealizamos para eles.
A razão também ama, e foi quando aprendi que esta era mais forte que qualquer tipo de emoção que te ofereci a nossa última viagem.

Abre os olhos e nunca limites a tua mente.



Espero que estejas sentado e acima de tudo com a mente aberta. É dela que te falo.
Nenhum de nós é mais do que um corpo que dá vida a uma massa cinzenta moldada desde o teu primeiro choro até ao teu ultimo suspiro.
Tudo não é mais do que ligações químicas. A dor, a alegria, o choro, as gargalhadas, o ódio, o amor. Tudo está centralizado no único lugar. Lugar esse, que te pertence mas tem muito pouco de ti.  Acho que já o disse, mas espero que estejas sentado, até porque não quero que me entendas, dá-me só a oportunidade de te o dizer.

Queria que te tornasses em alguém que gostarias de criar, despregando-te da construção que fizeram de ti. A maneira como pensas, como danças, como amas e acima de tudo como te vês foi criada por aqueles que te rodeiam. Não somos únicos por sermos diferentes de todos os outros. Somos únicos pelo facto de mais ninguém no mundo ter partilhado a sua vida com as mesmas pessoas que nós.

O teu maior problema é não saber distinguir a aprendizagem da imitação. Nós somos aquilo que os outros são, não aquilo que eles nos ensinam. Nunca nos escolhemos a nós, nunca criamos, apenas decidimos qual o melhor caminho a seguir.
Não estás a perceber do que te falo?
Existem pessoas que carregam a morte consigo em nome de um Deus que alguém lhes fez acreditar que existia.
Todos os dias alguém coloca fim a sua vida por amor, sem saber que não é o coração que ama mas sim um conjunto de informação processada que pode ser corrigida.
Existem pessoas que acham que é errado amar alguém do mesmo sexo só porque a sociedade lhes impinge imagens e sátiras nesse sentido, sem que elas tenham a capacidade de as filtrar.
Existem pessoas que não sabem que se abdicarem de 5%, ou menos, daquilo que auferem todos os mês, salvariam uma vida – pudesse a humanidade toda saber disto.
Pergunta-te quem és. Acima de tudo pergunta-te: “Se eu pudesse criar uma personalidade, como é que ela seria?”.
Um problema só é resolvido na sua íntegra se conseguirmos encontrar a sua origem. Mais uma vez voltamos a caixa cinzenta. Está na altura de reeducares o teu cérebro. De questionares aquilo que acreditas. Deixar de procurar o melhor caminho a seguir e começar a procurar o melhor “eu”.
Abre os olhos e nunca limites a tua mente. O mundo é só, e apenas, aquilo que fazemos dele e garanto-te, o mundo já viu melhores dias.


Rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça

Alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a conduzir um carro em alta velocidade entre o nascimento e a morte sem hipótese de parar para abastecer.

A sociedade nasce padronizada. Não existem personalidades únicas. Nós somos o que fazem de nós, nós somos o espelho daqueles que nos rodeiam.

Nascemos porque alguém decide que a sua felicidade tem de passar por isso.
Estudamos tudo e mais alguma coisa para nos tornarmos doutores. - Sim! Tu nasces para ser doutor, a sociedade impõe-te isso esquecendo-se que o mundo não se faz só de doutores. - Casamos e temos filhos porque contrário a isso, somos uns infelizes, sendo-nos quase imposto um sentimento de culpa e vergonha por isso.


É tudo blindado ao pormenor. É nos imposta a ideia que somos livres, quando vivemos sem liberdade de expressão, sem o poder para falar mais alto.
Se paramos para pensar. É possível parar para pensar. Tenta! Sai dessa bolha, sê tu a padronizar o teu cérebro. Para esse carro, há um circo montado há tua volta, pelo qual tu não pagaste bilhete, e estás no ridículo de nem perguntar porquê.
Nessa paragem percebesse que a liberdade se resume a dinheiro, a política nunca concorre a uma estatueta dourada porque ganharia sempre, as pessoas estão robotizadas e o que sentimos é camuflados por aquilo que os outros acham correto.

A rotina é a coisa mais insensata que me passa pela cabeça. Criar horas para tudo, cumpri-las religiosamente, controlar estado emocional pelo ponteiro de um relógio é só a coisa mais ridícula à qual tu te submetes.

Comer porque sim, mesmo que o corpo não precise. Trabalhar oito horas por dia, para respirar ao final do mês. Sair apenas ao fim-de-semana porque precisamos de dormir sete horas. Vestir branco porque o preto não está na moda. Deixar de ter amigos porque a família é mais importante. Sem reparar, tudo isto nos mata ainda antes do nosso corpo gelar.

Somos hipócritas, cobardes, submetemo-nos à dita normalidade sem questionar porquê. Seguimos assim à milénios e prevê-se mais do mesmo. Porque alguém absolutamente embriagado um dia decidiu que a normalidade se resumia a isto, ou talvez eu tenha bebido demais.

Ter um amigo é ter-nos a nós próprios

Todos nós temos amizades eternas, independentemente de estas durarem ou não para sempre.
A amizade nasce, tão simplesmente, no reconhecimento da nossa essência, alma para os mais crentes, noutro corpo. No entanto, um amigo não se diz amigo da boca para fora, é preciso prová-lo. Acima de tudo, é preciso estar presente na vida do outro para que isso seja verdade.

Os amigos ao contrário dos amantes não são coisa assim tão rara. O problema reside na prática da amizade. Fazer um amigo é fácil e mais fácil seria manter uma amizade se, a teoria escrita nos livros e muitas vezes tatuada nos corpos, fosse humanizada por quem pensa.
É uma verdade intrínseca o facto de a nossa personalidade ser talhada por quem nos educa no entanto, esta é suportada por quem nos acompanha. Somos a junção de várias vidas, respiramos a alegria dos outros, encontramo-nos nas mesmas gargalhadas, choramos as mesmas feridas, aprendemos a mesma língua e é isso que eterniza a amizade em nós.

Não há amizades iguais, diferentes momentos exigem diferentes pessoas. Há quem acredite que a fugacidade do tempo descarta um leque de amigos da nossa vida porque, segundo os que não encontram nenhuma justificação para tal, a vida é mesmo assim. Fingimos que nos esquecemos que ter um amigo é muito mais do que ter um ombro. Ter um amigo é ter alguém que suporte a mesma dor, que vá ao encontro da mesma fuga. Ter um amigo é ter alguém que nos inquiete a alma, é ter permanentemente a salvação do abismo.

Alguém uma vez disse “se queres amigos para a vida, arranja vida para os amigos” mas, os anos passam e a palavra “amigo” ganha novos significados. Os hábitos mudam, as crenças focam-se noutros pontos, a racionalização ocupa o lugar a emoção e a vida ensina-nos, ou obriga-nos, a olhar para ela de outra maneira.
Com a passagem do tempo as pessoas cometem o erro de se mentalizar da falta de tempo. Não há tempo para nada, caísse numa rotina sombria onde os amigos são lembrados, de quando em vez, mas apenas isso. Perde-se a saudade, o interesse, ganha-se a distância e é aqui que os perdemos da vida, levando-os apenas nela.



(di)vida

A vida por vezes passa-nos por todos os lados mas nos esquecemo-nos de passar por ela...
Ha dias que simplesmente nao sao vida, sao uma merda de encher calendario e de cumprir com o relogio sem saber se amanha poderemos recompensar tal desperdicio.
Vida, porque so uma?